Planejamento futuro, análise de mercado, equilíbrio financeiro e atualizações constantes podem determinar o sucesso ou o fracasso de qualquer empresa. E a exemplo da iniciativa privada, no setor público esses ingredientes também compõem a receita de desenvolvimento. Para uma platéia de engenheiros e arquitetos, o prefeito Alberto Mourão falou sobre como conseguiu, utilizando em gestão pública métodos comuns no empresariado, transformar uma cidade marcada pelo estigma em exemplo de modernidade na palestra “Administração Municipal no Século XXI”. Realizado na manhã de sábado (15), o evento integrou a programação do 3º Encontro de Profissionais do Estado na Colônia de Férias dos Comerciários, bairro Guilhermina.
Siglas que para muitos soa como abstrações, como PPA (Plano Plurianual) e LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), são importantes ferramentas de planejamento que, se exploradas adequadamente, expõem situações atuais e, ao mesmo tempo, traçam metas a médio e longo prazos. “O poder púbico tem de trabalhar pensando como empresa e isso nos remete aos Planos Diretores. Toda empresa estabelece orçamentos divididos para cada setor. Nos entes públicos, também”, afirmou Mourão.
Como acontece no campo empresarial, a administração pública precisa conhecer os cenários regional, nacional e internacional para se inserir neles, sem descuidar da própria realidade. “Uma empresa traça um plano estratégico que se insere em algumas perguntas fundamentais: qual o ambiente que está, o que pretende alcançar e como chegar lá? Precisamos também trazer isso para o poder público”, frisou.
Entender as relações humanas do ponto de vista tecnológico, considerando o processo de globalização, é outro desafio. “Os meios de comunicação e de transporte criaram velocidades quase que em tempo real e as transações comerciais não levam mais centenas de dias como em poucos séculos atrás”, prosseguiu. “Quando se planeja uma cidade se deve levar em consideração esse contexto.”
População – Em seu terceiro mandato como prefeito, Mourão alertou que a evolução demográfica desenfreada pode acarretar problemas urbanos quando não está em harmonia com a economia.
Ao falar sobre Praia Grande, ele comentou que este é um desafio para a próxima década. “Acho que temos de trazer os níveis de crescimento econômico sempre superiores ao da evolução populacional, para agregar valores. Temos essa preocupação”, declarou. Prevendo futuras dificuldades se não houver equilíbrio na densidade demográfica, o prefeito citou que pretende se reunir com grupos econômicos locais para estimular discussões.
O alerta foi dirigido especialmente aos engenheiros e arquitetos que atuam na área da construção civil, diretamente ligada à expansão imobiliária. “Essa ‘volúpia’ de construção nos preocupa muito. Só estou querendo fazer uma reflexão de que não dá para se praticar um excesso de construção em certas cidades, principalmente nas regiões metropolitanas”, observou, citando que o descompasso entre número de habitantes e orçamento municipal pode acarretar precariedades. “Uma coisa é o desenvolvimento habitacional de dentro de sua cidade; outra é a transferência de população para o seu espaço geográfico. Temos de ter um crescimento sustentável.”
Vocação - Na opinião do prefeito, o êxito numa administração também está condicionado a uma visão estratégica que aponte e tire proveito da vocação municipal. “A cidade é um produto, mas qual? Se o produto é turismo, deve-se pensar no segmento, no público que se deseja atrair”, ilustrou. “É preciso ter essa visão e aperfeiçoar a estrutura com informações a tal ponto de ter uma equipe exclusiva de planejamento estratégico, que não se confunda com a questão política, mas se preocupe apenas com essa inserção.”
Mourão mostrou-se convicto de que a região metropolitana deve apostar no desenvolvimento integrado entre as cidades, como no suporte às atividades portuárias e aeroportuárias. “Não há dúvida de que a Baixada Santista passará por grandes transformações em decorrência de alguns fatores. Primeiro, olhando o horizonte de 10 a 15 anos, é a prospecção petrolífera na Bacia de Santos. O outro é o desenvolvimento econômico do Brasil e a demanda de importações e exportações, o que movimentará uma estrutura. O Rodoanel dará forte impacto na Baixada, tanto no setor portuário como turístico.”
Por fim, Mourão destacou que a sociedade deve atuar como agente fiscalizador, cumprindo seu papel, enquanto o governo não pode perder de vista o planejamento. “Na administração moderna, os gestores precisam usar as ferramentas de planejamento, aperfeiçoá-las e adaptá-las ao setor público, perseguindo as metas que estabelecemos”, prosseguiu. “É necessário que a sociedade esteja em sintonia com esses objetivos.”
O prefeito elogiou o evento, promovido pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Praia Grande (AEAPG), com apoio da Prefeitura. “Quando contam com palestrantes de vários setores, esses eventos estimulam uma reflexão por parte dos profissionais. Tentei passar isso hoje. Ao desenvolver seus projetos ou suas empresas, eles verão se alcançam os objetivos que traçamos para a sociedade”, comentou. “Esses encontros também são importantes para aquecer o turismo de negócios.”
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